Trabalho exímio de puro R&b. A cadência deste disco é tão smooth e macia que você se sente navegando por estas músicas, que são sobretudo carregadas de emoção. Todas as músicas trabalham com arranjos bem concisos, com harmonias e cadências bem representativas do R&b atual: nada muito alternativo ou eletrônico, mas ainda assim pouco analógico. Gosto destes ritmos, e eles fluem de forma muito bela, de forma que em alguns momentos parece que todo o disco é uma grande música. E o destaque fica para SZA: ela transita por todos estes ritmos com sua bela voz improvisando melodias, cantando de forma muito livre e expressiva. As estruturas das músicas não são muito convencionais, mas mesmo assim te pegam pela força da expressão e da emoção com que são trabalhadas. Seu conteúdo, na verdade, é o real destaque deste disco: ela transita por distintas emoções e perspectivas, relacionadas a insegurança, ao amor, ao futuro. Consegue pintar bem a imagem do que é ser uma mulher negra, artista e com seus vinte e poucos anos de idade. A última faixa, por fim, me tocou bastante neste aspecto: uma reflexão bem tocante sobre este estágio maluco emocionalmente da vida que é seus vinte e poucos anos, e resume bem a riqueza que é este disco. Que discaço.