The Color of Rain, de aja monet, é daqueles álbuns que não fica apenas pela audição, é uma obra sobre amor, resistência, negritude, cansaço, comunidade, espiritualidade e sobrevivência num mundo que tenta tornar as pessoas mais frias e solitárias.
A chuva não tem uma cor única, a cor da chuva depende da luz, do céu, da terra onde cai, da pele que toca, da janela por onde a vemos, por isso, quando a aja ... read more
O álbum vive muito da respiração. Há espaço entre as notas, há tempo para que uma ideia amadureça antes de ser abandonada ou transformada. A inclusão de improvisos reforça a ideia de que nem tudo está polido, nem tudo procura resolução perfeita. Algumas passagens parecem quase esboços emocionais, mas é precisamente aí que o álbum ganha humanidade. É um trabalho que transmite ... read more
Em The Fall-Off, J. Cole constrói o álbum como um ciclo que se fecha. Dividido em dois discos, “Disc 29” e “Disc 39”, o projeto coloca frente a frente duas versões do mesmo regresso a casa, separadas por uma década. Aos 29 anos, ele volta à sua cidade depois de conquistar Nova Iorque e alcançar o que parecia impossível. Está num cruzamento entre três amores: a mulher, a carreira e a cidade que o moldou. Aos ... read more
DON’T BE DUMB é um álbum que confirma o lugar de A$AP Rocky como um dos artistas mais esteticamente refinados do hip-hop atual, mas também evidencia que essa obsessão pela forma nem sempre é acompanhada pela mesma força no conteúdo. O projeto apresenta uma identidade sonora muito coesa e bem definida, porém raramente consegue transformar essa identidade em momentos realmente impactantes.
Desde as primeiras músicas, fica claro ... read more
To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar, é uma obra concebida como travessia interior antes de ser manifesto externo. O álbum não se apresenta como uma sequência de músicas independentes, mas como um percurso psicológico, moral e espiritual em que o sucesso, longe de significar libertação, se revela outra forma de cativeiro. A pergunta central não é apenas política ou social, é existencial: o que acontece à ... read more
Papillon tornou-se uma das figuras mais respeitadas do rap português pela forma como equilibra técnica, introspeção e construção de conceito. Desde a estreia a solo, mostrou uma preocupação pouco comum no panorama nacional: criar álbuns pensados como capítulos de um percurso pessoal. Deepak Looper apresentou o artista num estado de procura interior; Jony Driver aprofundou essa viagem, mais densa e mais espiritual; e Wonder ... read more
O título do álbum (em espanhol, “a estrada” ou “o caminho”) remete à noção de peregrinação. A modesta carrinha que aparece na capa é a mesma em que a banda passou os dois primeiros anos da sua existência, atravessando os Estados Unidos numa série interminável de concertos, construindo lentamente uma base de fãs fiel.
Pode-se tirar a banda da garagem, mas não se pode tirar a garagem ... read more
Desde a sua estreia em 2016, For All We Know , a cantora e compositora londrina Neo Jessica Joshua, também conhecida como Nao, tem-se distinguindo no estilo R&B, pela sua leveza, transparência e poder vocal. Indicada ao prêmio Grammy e ao prêmio Mercury pelo seu segundo álbum com influência eletrônica, Saturn (2018), e encontrando alegria pós-Covid no acústico And Then Life Was Beautiful de 2021, a produção de Nao nos ... read more
Outubro de 2024 foi quando foi anunciado que Ka havia falecido aos 52 anos, não foi dada muita informação sobre a sua morte, o que é apropriado, uma vez que ele também viveu uma vida bastante privada. Não se sabe muito sobre ele além do que ele nos contou através da sua música, alguns dos ápices da sua carreira, e do facto de ter sido um bombeiro de longa data na cidade de Nova York. Poeta de rua pioneiro e corajoso, mas ... read more
A ascensão de Bartees Strange tem sido uma alegria de se ver. A base em Washington posiciona a sua arte no epicentro político do mundo ocidental. O autoritarismo de direita tão próximo do lar escolhido pelo cantor aparece em composições que exploram temas de medo, identidade e comunidade; medo inextricavelmente entrelaçado com a ideia de identidade. Como um músico queer negro, Bartees não se esquiva das pressões de ser um ... read more
Os Manic Street Preachers materializaram-se em 1991 como a autointitulada Geração Terrorista do indie rock (como eles se autodenominaram no seu álbum de estreia), mas em meados da década esses insurgentes da classe trabalhadora do devastado coração industrial do sul do País de Gales eram membros contratados do Club Britpop.
O baixista e letrista Wire tem 56 anos, mas ainda comunica-se com o ardor complicado de um estudante adolescente de ... read more
Automatic, o quinto álbum da dupla americana The Lumineers, é tudo menos automático. É o trabalho de dois homens totalmente engajados com sua arte e ofício, mudando por muitas engrenagens, de suave e doce para nervoso e resistente, de introspectivo e reflexivo para divertido e às vezes confuso. Ela também considera o estado do mundo hoje, explorando a "linha tênue" entre o que é real e o que não é. Quem ... read more
Drake regressa à forma, ao voltar a um porto seguro, aliando-se a uma força que já conhece. No entanto, “$ome $exy $ongs 4 U” resume muitos dos defeitos apontados ao Drake recentemente, as letras recorrem a clichés com demasiada frequência, há uma grande dose de desperdício nas 21 músicas e 74 minutos de duração, e falta-lhe também um verdadeiro fio condutor. Aqui, tal como nos vários trabalhos do ... read more