Metamorphic parece uma compilação de tentativas feitas por STAYC, mas, pelo menos, são boas tentativas.
Em março de 2024, as meninas do STAYC já haviam revelado que o seu primeiro álbum estava em planejamento. Isso sempre causa um alvoroço no K-Pop, já que os grupos – principalmente os atuais – trabalham em projetos cada vez menores, como EPs ou até singles digitais. O sexteto é um grupo bem querido, mas após recepções mistas de seus últimos materiais, uma dúvida misteriosa passou a marcar seus lançamentos: elas finalmente lançarão algo bom novamente? Com quatorze faixas, há muito o que explorar e analisar se, de fato, Metamorphic pode responder essa e outras questões.
Várias promessas foram feitas, tanto pela High Up quanto pelo próprio grupo, e esse foi um dos maiores problemas do álbum, também conhecido como: gerar falsas expectativas. A causa e o efeito são simples: lançar um trailer de oito minutos contando uma história misteriosa, divulgar fotos com um visual completamente diferente do que já haviam feito e esperar a reação do público. Por fim, com as primeiras prévias divulgadas, um gostinho da verdade foi revelado.
“Cheeky Icy Thang” é a faixa título e nos dá uma sensação de “igual, mas diferente”. O single contém elementos que ainda não foram tão utilizados pelo grupo, mas, como conjunto, não soa inovador. É uma música carismática e expressa bem a energia refrescante do STAYC, mas com altas doses de uma tentativa de ser “too cool for old school”.
O projeto ainda nos apresenta um pouco das membros de forma individual. “Find” tem a presença de Sieun, Seeun e J, e explora um 2-Step comercial que vem se tornando popular a cada dia no pop sul-coreano. Já “Fakin’” mostra Yoon e Sumin por um lado melancólico, mas que peca em ser comum e razoável demais. Já “Roses”, faixa solo de Isa, foca em destrinchar o seu vocal diante de uma canção com muitas influências no R&B contemporâneo. Ela se torna um dos maiores destaques do disco pelo fato de ser relaxante e, ao mesmo tempo, rítmica, que combina bastante com a imagem da integrante.
Um dos erros que, infelizmente, mais compromete parte da experiência é a duração das faixas. As quatorze músicas são individuais entre si e, como apenas quatro têm mais de três minutos, acaba criando uma atmosfera confusa. Muitas vezes as canções terminam rapidamente, e depois passam para outra sonoridade diferente, dificultando a assimilação de qual caminho o álbum está tomando.
O álbum ainda segue os erros passados do grupo, pois em todos os seus projetos, vemos uma enorme lacuna entre o single e o restante das faixas. É sempre o cenário onde a faixa-título é alegre, confiante e forte, enquanto o restante das músicas são suaves, aconchegantes e têm grande potencial para serem esquecidas por não seguirem o mesmo ritmo. Há exceções, que tentam acompanhar a peça principal (“Twenty”, “1 Thing” e “Trouble Maker”), mas durante o seguimento, a produção parece ter o prazer de nos lembrar que elas são apenas comuns.
https://www.aqueletuim.com.br/2024/07/critica-metamorphic.html
| 1 | Twenty / 80 |
| 2 | Cheeky Icy Thang / 85 |
| 3 | 1 Thing / 80 |
| 4 | Give It 2 Me / 75 |
| 5 | Find / 75 |
| 6 | Let Me Know / 75 |
| 7 | Nada / 70 |
| 8 | Fakin’ / 60 |
| 9 | Roses / 85 |
| 10 | Beauty Bomb / 75 |
| 11 | Gummy Bear / 77 |
| 12 | Stay WITH me / 50 |
| 13 | Flexing On My Ex / 70 |
| 14 | Trouble Maker / 85 |