O debut de Portishead simplesmente não parece uma estreia. O grupo parece já consolidado, decidido, no caminho exato, e que tem década de carreira.
Dummy é simplesmente impecável. No skips, toda faixa não só agrega ao projeto em questão de sonoridade e significado, como é altamente aproveitável.
As letras discorrem de maneira muito reflexiva sobre o interior de nós mesmos, aquilo que é nossa alma, o que reside em nós, e que somos movidos pelos sentimentos
"Sin, slave of feelings"
Escravo de sentimentos é como a vocalista nôs descreve, e ao longo do album comenta justamente sobre esses diversos sentimentos, o medo, a duvida, a paixão, a decepção, a esperança e etc.
A sonoridade é muito única, ao mesmo tempo que muito tranquila, qualquer um digere. Eleva o Trip-Hop a outro patamar. Algo MUITO mais sólido e decidido do que projetos como Blue Lines do Massive Attack por exemplo.
Os vocais de Beth Gibbons são simplesmente impecáveis, um dos mais satisfatórios que já ouvi, tem um pouco daquele lance de Elisabeth Fraser de transformar a voz em um instrumento, a Gibbons canta naquele tom bem agudo, macio, doce, quase como um instrumento de sopro, mas ao mesmo tempo, contrário a Fraser, ela pronuncia as letras de maneira muito entendível, o que pra mim, soa o album todo como se alguem me contasse um segredo, sensação de intimidade entre a vocalista e o ouvinte.
obs: essa parada de pronunciar a letra de maneira "entendível" ou não, não tem nada a ver com ser melhor ou pior, afinal, mesmo sem conseguir entender uma porra do que a Fraser fala, principalmente no Cocteau Twins, ela ainda é pra mim a melhor vocalista e cantora de todos os tempos.
A produção é, igual aos vocais, impressionante. É lo-fi (em 1994), é rítmica mas ao mesmo tempo as melodias são MUITO boas, e guiam de mais as faixas. Não é so boa em samplear, ou adicionar, produzir digitalmente como também compõe, os instrumentais são incríveis, e nem precisaria citar, mas é só lembrar da clássica Glory Box.
Esse é o tipo de album que vai passar décadas e décadas, e ele só vai ficar melhor e ser mais aclamado. Não tem falhas, não tem erros, não tem defeitos, problemas, mediocridades... apenas muita criatividade dentro de sonoridade, produção e lírica.
| 1 | Mysterons / 90 |
| 2 | Sour Times / 100 |
| 3 | Strangers / 100 |
| 4 | It Could Be Sweet / 100 |
| 5 | Wandering Star / 100 |
| 6 | Numb / 100 |
| 7 | Roads / 100 |
| 8 | Pedestal / 95 |
| 9 | Biscuit / 100 |
| 10 | Glory Box / 100 |