DISCOGRAFANDO MARISA MONTE
É um álbum que aglutina muito bem a inventividade do início da década, mas em contrapartida dilui isso de forma comedida ao passo de que no seu decorrer ele acaba voltando as origens da artista. É também palco de alguma das maiores baladas de Marisa Monte, mas no todo acabo não amando tanto esse álbum quanto amo seus anteriores.
DISCOGRAFANDO MARISA MONTE
Que jeito sensível de se trabalhar o amor. Abraçar a MPB, o Samba e também o Pop mas deixá-los com sua cara. Bonito demais como Marisa faz seus álbuns.
DISCOGRAFANDO MARISA MONTE
Obrigado Marisa, Marina e Adriana pela elegância do pop noventista brasileiro.
DISCOGRAFANDO MARISA MONTE
Acho impressionante como a presença do Carlinhos Brown na vida da Marisa mudou muito a forma dela produzir. Essa mulher é uma esponja que consegue sintetizar seus arredores de forma muito elegante e acima de tudo respeitosa.
DISCOGRAFANDO MARISA MONTE
Tem que ser muito fodona pra se lançar ao mundo num projeto ao vivo com trabalhos consolidados no imaginário brasileiro mas ainda assim permitindo imprimir sua personalidade. É literalmente na cara e na coragem.
Talvez esse álbum como peça solta pareça sim algo arrastado e perdido. Mas eu prefiro ficar com a ideia de antítese dele em relação ao Miss Colombia (2020). Numa contramão da alegria e celebração do trabalho anterior, Lido Pimienta cria uma peça densa de acolhimento e força, sempre homenageando seus antepassados.
Esse álbum tem cheiro de grama cortada, de pós banho premium, de água de colônia aquosa, de salsinha, cebolinha e hortelã.
Certa vez participei de uma competição de ilustração e um dos desafios consistia em criar uma arte de um combate entre um cavalheiro e um monstro. Eu, e alguns colegas de competição, escolhemos nos retratar enquanto os cavalheiros e nossos monstros eram nossas inseguranças e medos. Naquele momento um dos jurados nos deu como conselho: "vocês estão prontos pra entender que as críticas sobre suas artes serão ... read more
Me incomoda em nada a inclinação ao pop que este álbum tem, pelo contrário, gosto bastante dessa nova faceta da Sasami a ponto dos singles terem me deixado ansiosa pro lançamento.
O que faz o álbum ficar no quase pra mim é tudo ser direto demais. Do visual as letras a artista cria uma atmosfera divertida mas praticamente sem espaço nenhum pra interpretações plurais, algo que considero fazer parte da graça da arte.
No ... read more
Sem sombra de dúvidas ele é um dos melhores trabalhos da Miley. Eu ainda desgosto de alguns arremates estéticos que ela sempre escolhe pra tudo soar mais higienizado. Num trabalho do qual ela prometia um aprofundamento no experimentalismo acabamos recebendo um belo registro pop com resquícios de diversão apenas nas interludes e na fase final do álbum.
Certa vez em minha primeira, e única até então, ida a Salvador li de dentro do Muncab um conto que dizia que acreditavam que o Baobá tinha suas raízes tão profundas que algumas delas ligavam por debaixo do oceano a África a Bahia. O Oceano Atlântico tem esse mesmo papel. Há de pensar que as ondas daqui molham as terras de lá. E é na água que Luedji fez sua trilogia, inciada em 2020 e finalizada aqui, com um mar ... read more
É muito bonito acompanhar o que Catto galgou pra construir o Caminhos Selvagens. Desde seu processo de transição até o registro belísimo em homenagem a Gal Costa, Catto vem se descascando e se deixando crua para aparecer cada vez mais.
Nesse projeto continuamos na estética mais ruidosa e imperfeita no melhor sentido possível. Dessa vez servindo de base para as composições diretas e certeiras da artista.
Vida longa a Catto e a ... read more
quando eu for velha vou contar pras minhas netas que eu presenciei duas travestis brasileiras fazendo história na música
Penso muito em artistas que são alavancas pra muitos outros mas que vivem nas penumbras até certo ponto. Feliz pela escolha de Stefanie de resolver, finalmente, apontar os holofotes para si mesma. BUNMI pode ser um presente dela pra ela mesma mas é também dela pra todas nós.
Stefanie é o alicerce da casa do rap nacional, ou ao menos era. Agora ela escolhe ser também o acabamento de uma casa de identidade própria.
Uma das artistas que eu mais admiro na contemporaneidade. Não amo tanto o segundo ato da forma como amo o primeiro e o último, mas ainda assim continuo me surpreendendo com a capacidade da Ventura de aglutinar temas muitas vezes tão opostos como religião e sexualidade passeando por diversos gêneros músicais sem forçar nada.
Arte é produto. A facilitação do acesso a arte nos faz produzir mesmo sem querer. O ser artista, ou melhor, o fazer artístico, nos deixa emular realidades quase sempre inalcançaveis. Realidade emulada é também produto.
No produzir nos perdemos. Vezes somos produto, vezes a negação dele, mas quase sempre somos o vácuo entre o produto e nós mesmos.
Quem consome arte consome a nossa tentativa de produzir um produto. ... read more