Mitski - Nothing's About to Happen to Me
85

Em uma casa que reúne tantos sentimentos, Mitski é a condutora de um labirinto verdadeiramente emocional. Sonoramente, percebo um curioso misto de Puberty 2 com The Land Is Inhospitable and So Are We, mas é sua base lírica que torna a escuta ainda mais sensível. O isolamento sustenta o deslocamento e a introspecção, enquanto Mitski, mais uma vez, atravessa o poder da própria arte, elevando-a à condição de monumento ... read more

Charli xcx - Wuthering Heights
80

Desde o anúncio oficial, parecia inesperado que Charli xcx fosse convocada para assinar a trilha sonora de “Wuthering Heights”. Ainda assim, essa estranheza acaba se revelando parte central de um caráter anacrônico que sua figura projeta sobre o recorte de época. Ao abraçar a sonoridade que marcou sua estreia em 2013, a aposta em baladas dark wave busca reunir fragmentos de um romance autodestrutivo, ao mesmo tempo em que apresenta uma Charli ainda ... read more

Sydney Ross Mitchell - Cynthia
57

É a reciclagem mais lugar comum do folk conteporâneo, junto com um country arrastado que eu genuinamente não entendo como que se pode pôr hooks em uma canção do gênero. O formato em EP facilita e não alonga uma escuta que não agrega em tanto, mas ao menos posso dizer que Cynthia é uma canção que fez valer o esforço.

Mitski - Retired from Sad, New Career in Business
82

Quando o desconforto deixa de ser somente parte de uma melancolia severa, mas é ressignificado pela beleza trágica de se viver. Posso dizer que “Retired from Sad, New Career in Business” é tão cru quanto o Lush, mas aqui Mitski assume a responsabilidade da vida adulta — e a complexidade de suas demandas. Sonoramente, há um doce apelo ao caos, a mistura de instrumentos e ao pop progressivo, indo de encontro ao seu lirismo mais cru e ... read more

Joyce Manor - I Used to Go to This Bar
68

Nostálgico e divertido. Eu não conhecia esse trio de pop punk estadunidense, mas sou grato por eles resgatarem uma sonoridade tão conforto quanto o pop punk dos anos 2000. No geral, não há nada que o destaque entre tantos outros do gênero, mas ainda é uma escuta limpa e agradável - ótimo para ouvir dirigindo, inclusive.

Labrinth - COSMIC OPERA ACT I
63

Labrinth é indiscutivelmente um produtor que ficou marcado por ter uma identidade própria - algo que o mesmo deve ao sucesso de Euphoria, como a popularização dessa veia eletrônica mais alternativa na contemporaneidade. No entanto, as suas melhores intenções sempre parecem contidas por um som que precisa soar "acessível", e não me entenda mal, isto não é algo necessariamente ruim, mas perante as ... read more

Louis Tomlinson - How Did I Get Here?
48

É um pouco cômico pensar em como de todos os membros pós fim do One Direction, o Louis foi que mais penou para encontrar uma sonoridade e estilo próprio. Num todo, How Did I Get Here? mais parece um amontado de descartes - coeso em sonoridade, mas completamente irrelevante em proposta. As letras são comuns, os arranjos pouco inspirados, e infelizmente é só mais um disco que se arrasta por um pop rock cansado e nem um pouco efetivo.

Agnes - BEAUTIFUL MADNESS
65

Um disco house enervante e irregular. Mesmo que eu não seja nada chegado com o gênero house e as suas batidas repetitivas, eu genuinamente me mantive interessado no projeto do início ao fim, mas o que de fato tira parte de toda a sua força é o excesso de interludes que, sendo bem honesto, não agregam em nada para o álbum (nem em conceito, muito menos em sonoridade). A produção é um ponto forte, pois mesmo com os sintetizadores ... read more

Catto - Caminhos Selvagens
82

Há um certo sentimento envolto de caos e dor na voz de Catto, e isso sim é algo selvagem. Não consigo compreender como um álbum desse me passou batido no ano passado, mas agora posso ver que a cena do rock nacional parece estar muito bem. Em meio aos vocais rasgados e a intensidade dos instrumentais carregados, Catto vai se desintegando aos poucos, até que enfim, todo leite derramado torna-se somente lembrança de uma escuta verdadeiramente surreal.

Poppy - Empty Hands
68

Abraçando a sonoridade que a levou ao estrelato, Poppy retorna as suas raízes com certa cautela - ainda que pareça claro que ela nasceu para interpretar músicas mais explosivas. O disco tem lá tem os seus bons momentos, mas os resquicios pop que ditaram sua carreira nos últimos fazem com que ele perca muita força após sua primeira metade. A produção não parece elevar o status metalcore do disco a algo verdadeiramente ... read more

PinkPantheress - Fancy That
77

Posso até pensar mil coisas sobre a Pink Pantera, mas terei que confessar que ela não deixa a desejar na produção das faixas. Esse projeto em si mais parece uma mixtape do que um projeto feito para parecer coeso, mas musicalmente, ele começa e termina sem parecer tempo perdido. Como a mesma disse sobre seu estilo de som: "um nostálgico novo", e de fato, é isso mesmo e tá tudo certo.

Madison Beer - locket
64

Posso dizer que a Madison tem uma voz belissíma e muito bem adaptada para o r&b contemporâneo, no entanto, é bem frustrante vê-la sempre enquadrada em um pop melódico, para não dizer seguro demais. "locket" parece ser um exemplo perfeito dessa fórmula, e por mais que em nenhum momento ele soe ofensivo ou mal produzido, ele somente consegue ser safe em boa parte do tempo.

Robbie Williams - BRITPOP
50

Um disco que já nasce desatualizado. Na busca por expandir seu público e adaptar-se a sonoridade atual, Robbie Williams faz de BRITPOP um amontoado de sons que pouco (ou quase nada) dialogam entre si. As duas primeiras canções parecem preparar terreno para algo que irá transitar entre o indie rock e o power pop, mas é a partir da terceira faixa que o projeto começa a atirar para todos os lados sem qualquer direcionamento. É claro que o ... read more

Mitski - Be the Cowboy
90

A solidão texturizada em batidas eletrônicas e uma artificialidade ensaiada. Com o recente lançamento de ''Where's my phone?'', decidi revisitar um dos seus álbuns mais polidos e bem quistos da discografia, voltando no tempo e revisitando sentimentos tão vivos e intensos que Mitski sempre explorou tão bem em sua carreira.

É um tanto interessante ver como Mitski desconstrói noções como capricho e ... read more

Luísa Sonza - Bossa Sempre Nova
50

De certa forma, eu admiro a coragem da Luísa Sonza de por um instante se desvencilhar do desgaste de sua própria imagem e dos tantos rascunhos que a mesma se propõe a chamar de música. A Bossa Nova parece convidativa ao instante em que sua voz orna muito bem com a essência do projeto, no entanto, não é difícil de ver este como um redirecionamento propositalmente feito para o público geral vê-la como uma artista ... read more

Zach Bryan - With Heaven On Top
66

Zach parece viver o melhor momento de sua vida e, adentro do estilo de vida country, faz com que esse tipo de narrativa flua com uma beleza semigual. As letras são um destaque a parte em um álbum que não necessitava ser tão extenso, e isso acaba indo muito contra o produto final. Seus melhores momentos são quando, para além de sua excelente voz, o instrumental encontra espaço para dominar a audição de quem se propõe a ... read more

CHUU - XO, My Cyberlove
68

Fui pego de surpresa logo na primeira faixa, pois eu com certeza não esperava que fosse algo muito mais melódico. Não conheço a artista, tampouco consumo K-pop, no entanto, tenho que confessar que as composições se destacam em meio a melodias açucaradas de uma garota apaixonada. Talvez, por grande parte do álbum ser preso em baladas pop, acaba que nada de muito marcante consiga sair daqui.

The Cribs - Selling a Vibe
65

Uma boa audição, mas muito pouco memorável. A produção parece segura, os vocais limpos, as referências do meio indie são evidentes, mas no fim do dia, parece mais um produto reciclável. Para mim, é uma pena que o comeback de uma banda que sempre foi competente no meio faz da familiaridade um claro sinal de repetição - algo bem semelhante ao Tame Impala, no ano passado.

Jenny on Holiday - Quicksand Heart
74

O synthpop parece mais em alta do que eu imaginava, e esse álbum é uma boa prova disso. As melodiam ecoam como um pop um tanto melódico e cadenciado, o que funciona para um álbum bem curtinho. Acredito que para quem aprecie o caratér mais saudosista do gênero, é uma boa escolha.

Renatto Olivares - Aguas Raras
82

Hesse Kessel vem cá, vocês tem visita!

Ok, essa certamente foi uma das primeiras surpresas que tive nesse ano, e após conhecer mais do post-rock no ano passado (especificamente com artistas da América Latina) eu sinto que estou no caminho certo.

É impressionante como as canções crescem após sua primeira metade, além do claro equilíbrio em letra e melodia. Os arranjos mais sinfônicos acompanham muito bem a bateria ... read more

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