Há neste álbum o sentimento de que é tudo muito bem pensado, ao mesmo tempo em que parece feito no puro improviso, tamanha é sua liberdade. Aliás, há também uma nítida vontade de contribuir positivamente (além do lugar comum) para o soul e R&B, que, para mim, é muito bem vinda.
Se for pra ser bem sincero, acredito que este seja um álbum básico até demais. Claro que é um básico bem feito, com um pouco de estilo e sofisticação, riffs pegajoso, mas não compro o barulho em torno dele.
E se Aphex Twin e Cocteau Twins tivessem um filho?
Se hoje talvez ainda seja mal recebido pela grande maioria, eu não consigo nem imaginar quais foram as reações a esse álbum em 2003. Acho que hoje, para além de como soa futurista e de como previu o avanço do glitch pop, o que mais me impressiona nele é a sua "construção de mundo".
Álbum legal, com interpretações afiadas de Ney, mas pessoalmente não me agrada. É meio injusta a comparação, mas o seu debut é de uma força tamanha, que os dois álbuns seguintes soam muito sem graça.
Acompanho Tokischa há algum tempo através de singles e colaborações, então é muito bom vê-la finalmente lançando seu primeiro álbum.
Há algo que caracteriza a trajetória artística dela até agora: sua franqueza e versatilidade. Adicionando algumas camadas emocionais e uma narrativa mais direta, o álbum é competente em ordenar uma carreira que poderia parecer dispersa, mas falha ao conter e ... read more
[Recomendação 11]
Um grande upgrade na minha experiência veio de perceber que a beleza desse álbum não tá no seu rosto, não tá em Jim Morrison, mas na absoluta energia e competência dos demais membros da banda, que conseguiram absorver diversas musicalidades diferentes ao seu rock e transformá-lo em algo interessante de se ouvir até para os padrões de hoje.
[REVISITA]
[Recomendação 10]
[Desafio Brasil #39]
Que este é um álbum lindo do início ao fim, acredito que não seja novidade, mas já faz algum tempo desde que ouvi o Krishnanda pela primeira vez e, até hoje, ainda não encontrei um trabalho de percussão tão impecavelmente bem estruturado, robusto e inventivo como esse.
Me sinto repetitivo quando vou falar de Camarón, mas é que não tem o que se falar sobre uma lenda que já não tenha sido dito. O resto que possa faltar pra dizer, só dá pra ser comunicado na música mesmo. Que voz, que força, que domínio!
Como precursores do Novo Flamenco, é perceptível como Lole e Manuel assimilaram influências diversas ao seu som, com instrumentos que definitivamente não são típicos do gênero, fazendo o flamenco soar não só mais dramático, mas mais expansivo.
Ps: um disco basicamente só de cordas e voz, e que arranjos LINDOS. A música em árabe me pegou totalmente desprevenido!
Embora eu não tenha entendido o porquê Sufjan resolveu homenagear Illinois, gostei bastante do trabalho em sintetizar a cultura do estado aqui.
Surpreendeu-me o excesso na sonoridade desse álbum, já que meu contato prévio com Sufjan foi a partir de discos muito mais intimistas e minimalistas. Foi uma boa experiência no geral.
O pouco que posso dizer é que achei a experiência de ouvir esse álbum muitíssimo agradável, familiar e cativante. Além do mais me encantou encontrar sem querer o sample de Álibi (Sevdaliza)
[REVISITA]
Ao longo de 46 minutos, Dolmen Music nos prova que a voz é, sim, um instrumento. E, considerando o quão subestimados são Meredith e outros que se inspiraram diretamente nela, talvez seja o instrumento mais desvalorizado que existe.
O álbum comprime experimentações que seriam amplamente exploradas e expandidas por Meredith futuramente, mas já apresenta, de forma clara, o seu DNA provocativo, solene, hiper técnico e altamente ... read more
[Desafio América Latina]
O rock psicodélico ou mesmo o rock progressivo não estavam há tanto tempo em ação mas deixaram uma impressão muito forte em seus seguidores. Resultado disso é El Jardin de los Presentes, que possui uma abordagem madura e bem estruturada, conseguindo elevar o patamar ao trazer influências diretas do tango. Diretas, porém dissolvidas na linguagem da banda, como é possível perceber em El ... read more
O caráter sobre-humano de Siroco pode ser muito bem resumido em poucas palavras: "seria uma observação superficial apontar apenas as preciosidades da harmonia, a incomparável força técnica ou a intrincada arquitetura rítmica destas peças. Esta é uma transcendência do flamenco, rica em tradição e virtuosismo musical. Nunca ouvi um violão assim, nem mesmo nas mãos do próprio Paco de ... read more
[Desafio América Latina]
Que coisa mais LINDA!
Já desde o seu nome, Wara prenuncia o seu poder de originalidade. Claramente possuem influências anglosaxônicas, mas envolvem essas referências sob camadas fortíssimas de regionalismo, algo semelhante ao tropicalismo brasileiro.
Ainda que o álbum seja estruturado a partir do rock progressivo, não nos resta dúvidas de que a banda é latina. Não deixam esconder, seja pelas ... read more
Não é um álbum com intenções claras em estar acima da média, mas é sim um álbum digno. Ao menos pra mim, que nunca tinha ouvido Puscifer, esta foi uma boa introdução.
[Recomendação 9]
Não é um álbum excelente, mas é decente. Acredito que a produção soa muito congelada em seu tempo em grande parte do disco, mas, apesar disso, há elementos que se sobressaem e que ainda são interessantes, especialmente no que diz respeito às letras. Quando se trata de Stevie, este deve ser um daqueles álbuns que possui poucos fãs, mas que são muito fiéis.
[REVISITA]
[ANIVERSÁRIO DE 20 ANOS]
O Back to Black sempre me atraiu por muitos motivos: apego emocional por ouvir quando era criança, sonoridade incrivelmente bem construída, estilo de composição, mas em especial pelo nível de entrega de Amy.
Combinar soul, jazz, blues, R&B com hip-hop já não é uma tarefa fácil em teoria, mas combiná-los tão bem assim na prática é inacreditável. ... read more
[REVISITA]
Obrigado, Burial, por ser o pai de James Blake!
Ouvir o Untrue é sempre uma experiência maravilhosa, ainda mais quando se está revisitando. Com o passar do tempo, obviamente, alguns álbuns se provam muito mais impactantes que outros por quaisquer que sejam os motivos.
No caso do Untrue, se deve ao fato de ser um álbum que remete a uma miragem; como se fosse uma memória se perdendo, e Burial é muito efetivo em evocar essa ... read more